O mar molda a língua, a imaginação e a sensibilidade poética há séculos. Neste número dedicado ao tema MAR, olhamos não só para o que ecoa em “o mar” no original, mas também para a forma como essas ondas de sentido chegam a outra margem — a da tradução. Porque traduzir poesia é, em si, uma travessia: entre ritmo e significado, entre fidelidade e interpretação.
[versão polaca da entrevista em baixo]
CAMÕES DIRIGE-SE AOS SEUS CONTEMPORÂNEOS
Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.
SENA, Jorge de (1988) Metamorfoses. Lisboa: Edições 70.
Przestroga Camõesa
Mógłbyś okraść mnie ze wszystkiego:
Z pomysłów, ze słów, z obrazów,
Nawet z metafor, z tematów, z motywów
Z symboli i z pierwszy raz przeżywanego
Bólu, który wiąże się z nowym językiem,
Ze zrozumienia innych, z odwagi
W walce, w osądzaniu, z zagłębiania się
W miłości, która odbiera męskość.
Mógłbyś już o mnie więcej nie wspominać,
Pozbyć się mnie, zignorować, oklaskiwać
Innych złodziei, zadowolony.
Ale nic się nie stanie: a kara
Będzie okrutna. Kiedy już
Twoje wnuki zapomną kim jesteś,
Mnie będą znały lepiej
Niż ciebie, który był tylko naśladowcą,
A wszystko, wszystko, co przywłaszczysz sobie
Powróci do mojego imienia. I znów będzie moje,
Zrobione przeze mnie i będzie moją własnością.
Zagarnę też najmniejszą, najżałośniejszą
Rzecz, którą zrobisz sam, bez okradania mnie.
Nic ci nie pozostanie, nic: nawet kości
Z twojego szkieletu, który, gdy go odnajdą,
Uznają za mój. A tacy jak ty złodzieje,
uklękną przy grobie i złożą kwiaty.
Este foi o poema com que se confrontaram os participantes da oitava edição do concurso Poesis. O júri, composto pelo Prof. Doutor Jakub Jankowski, pela Dra. Tamara Sobolska e pela Dra. Paulina Junko, todos eles docentes do Instituto de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da Universidade de Varsóvia, distinguiu a tradução apresentada com o primeiro lugar no concurso. Falámos com Aniela Skorupowska, o autora da tradução vencedora da oitava edição do concurso Poesis, o concurso de tradução de poesia de língua portuguesa para polaco.
Justyna Żmijewska: No mês passado conhecemos a vencedora da 8.ª edição do concurso Poesis – Aniela. Hoje vamos descobrir os bastidores do seu trabalho e conhecer um pouco mais sobre ela. Convidamo-vos a ler a entrevista com a laureada deste ano.
Julian Konopelski: Aniela, muitos parabéns pela vitória! E por aqui acabam as gentilezas – prepara-te para uma (des)prazerosa saraivada de perguntas..! Estás pronta? Enfim, ninguém está pronto para nada – para que foste mexer no título?
Aniela Skorupowska: Ao ler o poema, tentei perceber o que o autor queria transmitir e acabei por facilitar a tarefa a mim própria – foi por causa desse “spoiler” no título. Além disso, as minhas tentativas de traduzir o título palavra por palavra soavam muito pouco naturais em polaco.
JK: A tua tradução resistiu à prova do tempo? Já passou algum tempo desde que enviaste o teu trabalho. Quando o lês agora, arrependes-te de não poder alterar alguma coisa? Ou, com a última versão do ficheiro, sentiste: “é isto”?
AS: Claro que agora vejo que poderia ter construído algumas frases de outra forma, mas não me arrependo dessas pequenas falhas. Fiz o melhor que sabia naquele momento. Enviei o poema traduzido a pensar: “espero tê-lo compreendido bem, mas, se não, prefiro ficar numa doce ignorância, porque aquilo que escrevi faz sentido para mim”.
JŻ: Cada tradutor tem o seu momento de primeiro confronto com o texto. Uns leem em silêncio, outros começam logo a sublinhar e a tomar notas. Qual foi a tua estratégia ao abordar este poema? Havia algum elemento que te interessasse mais?
AS: Comecei pelo básico: traduzir as palavras que nunca tinha encontrado antes. Tentei simplesmente perceber do que falava o autor, identificar-me com ele, imaginar o que poderia ter sentido ao escrever. E isso foi o mais importante para mim: as emoções escondidas por detrás das palavras.
JK: O que te levou a enviar a candidatura? Quando leste o poema, sentiste algo de especial? Sinais no céu?
AS: Depois de ler o poema, houve de facto sinais. Não no céu, mas na minha cabeça, e eram sobretudo pontos de interrogação. Onde termina uma frase? Onde começa a seguinte? O que quis realmente dizer o autor? Ao início, não tinha a certeza de nada. Mas, por conselho do nosso professor de literatura, decidi experimentar e tentar decifrar o texto.
JŻ: Em quase todos os poemas há um ponto que traz resistência. Um pequeno obstáculo na tradução. Houve algum verso que não te deixou dormir? Daqueles que reescreveste mais vezes do que gostarias de admitir?
AS: Houve vários. Digamos que a primeira parte do poema, onde o autor enumera aquilo de que poderia ser privado. Pensei durante muito tempo em como traduzir essa enumeração de forma clara e, ao mesmo tempo, manter o ritmo. Optei por colocar uma preposição antes de cada elemento, para os separar melhor. Usar apenas as vírgulas, na minha opinião, não seria suficiente para preservar o contexto.
JŻ: Traduzir poesia é, por vezes, um confronto com os próprios limites, linguísticos e imaginativos. Houve momentos em que o texto te “ultrapassou”? Como lidaste com isso?
AS: Nunca tinha traduzido um poema antes, por isso, no início, senti-me um pouco esmagada pelo simples facto de ser um desafio novo. Mas compreender cada palavra ou expressão nova dava-me uma enorme satisfação e motivava-me a continuar.
JK: Cada tradução é, de certa forma, um diálogo com um autor ausente. Se o autor do original lesse a tua versão, o que mais recearias?
AS: Talvez que tivesse interpretado mal as suas intenções. Embora não lhe chamasse propriamente receio, mas antes curiosidade.
JK: Tens os teus rituais de tradução? Silêncio, chá, noite, caos?
AS: Metade da tradução nasceu no silêncio, com chá; a outra metade, no meio do caos, com café, num encontro com amigos, entre conversas e jogos de consola. Ainda é cedo para chamar a isso um ritual, mas nas próximas traduções não fugirei aos extremos.
JK: E diz-nos – morze – o que é para ti? É o mesmo “o mar” que em português?
AS: “O mar” remete mais para o passado e para a saudade do que já foi; “morze”, em polaco, é para mim uma saudade do que ainda há de vir, é simplesmente mais meu. É assim que o vejo.
JK: Para acabar… A discussão sobre quem é, afinal, o tradutor, já dura há muito tempo… Quem é, para ti, o tradutor de poesia? Um artesão, um coautor, um servo do texto?
AS: Diria que é alguém que tenta compreender o autor e transmitir aos outros essa sua compreensão.
Aniela Skorupowska
Estudante do 2.º ano de Estudos Portugueses na Universidade de Varsóvia. Foi durante um intercâmbio académico no Porto que comecou a aprender português e, depois de regressar à Polónia, nunca mais parou. Embora esteja ainda a dar os primeiros passos na tradução, esta atividade dá-lhe uma satisfação imensa.
POLSKA WERSJA
Justyna Żmijewska: W zeszłym miesiącu poznaliśmy zwyciężczynię 8.ej edycji konkursu Poesis – Anielę Skorupowską. Dowiemy się dzisiaj o kulisach jej pracy oraz trochę więcej o niej samej! Zapraszamy na wywiad z tegoroczną laureatką.
Julian Konopelski: Aniela, serdecznie gratulujemy zwycięstwa! I na tym koniec uprzejmości – przygotuj się na (des)prazer gradobicia pytań..! Jesteś gotowa? Pal licho, nikt nie jest na nic gotowy – po coś mieszała w tytule?
Aniela Skorupowska: Czytając wiersz starałam się zrozumieć, co Camões chciał przekazać i sama sobie ułatwiłam, to przez ten „spojler” w tytule. Poza tym, moje próby przetłumaczenia tytułu słowo w słowo brzmiały wyjątkowo nie po polsku.
JK: Czy Twoje tłumaczenie przetrwało próbę czasu? Minęło trochę czasu od wpłynięcia Twojego zgłoszenia. Czy kiedy czytasz je teraz, żałujesz, że nie możesz jeszcze czegoś poprawić? A może wraz z ostatnią edycją pliku poczułaś – „to jest to”?
AS: Wiadomo, teraz widzę, że mogłam skonstruować niektóre zdania trochę inaczej, ale nie żałuję tych małych niedopatrzeń. Zrobiłam, co potrafiłam w tamtym momencie. Wysłałam przetłumaczony wiersz z myślą „mam nadzieję, że dobrze go zrozumiałam, ale jeśli nie, to wolę zostać w słodkiej niewiedzy, bo to, co napisałam, ma dla mnie sens”.
JŻ: Każdy tłumacz ma swój moment pierwszego starcia z tekstem. Jedni czytają w ciszy, inni od razu zaczynają kreślić i notować. Jaka była Twoja strategia przy podejściu do tego wiersza? Czy zależało Ci najbardziej na jakimś elemencie?
AS: Zaczęłam od podstaw-przetłumaczenia słów, których nigdy wcześniej nie spotkałam i po prostu starałam się zrozumieć o czym pisze autor, utożsamić się z nim, wyobrazić sobie, co mógł czuć pisząc. I to ostatnie było dla mnie najważniejsze, emocje, które chowają się za słowami.
JK: Co Cię skłoniło do wysłania zgłoszenia? Kiedy przeczytałaś ten wiersz, poczułaś coś wyjątkowego? Znaki na niebie?
AS: Po przeczytaniu wiersza, znaki pojawiły się, owszem. Nie te na niebie, tylko w mojej głowie i to z tych pytających. Początkowo nie byłam pewna gdzie kończy się poprzednie i zaczyna nowe zdanie. Ale za radą naszego profesora od literatury, postanowiłam spróbować moich sił i podjęłam się rozszyfrowania tekstu.
JŻ: W każdym wierszu jest zwykle jedno miejsce, które stawia opór. Punkt zapalny, mała translatorska przeszkoda. Czy był w tym wierszu jeden wers, który nie dawał Ci spać? Taki, który przepisywałaś więcej razy niż chciałabyś przyznać?
AS: Było kilka takich wersów, powiedzmy, pierwsza część wiersza, gdzie “Camões” wylicza, z czego mógłby zostać okradziony. Długo zastanawiałam się nad tym, jak to przetłumaczyć tak, żeby było zrozumiałe i jednocześnie zachowało rytm. Zdecydowałam się na wstawienie przed każdym z elementów przyimka, żeby oddzielić od siebie punkty. Same przecinki nie byłyby moim zdaniem wystarczające, żeby nie tracić kontekstu.
JŻ: Tłumaczenie poezji bywa momentami konfrontacją z własnymi ograniczeniami, językowymi i wyobrażeniowymi. Czy były momenty, kiedy tekst Cię “przerastał”? Jak sobie z tym radziłaś?
AS: Nigdy wcześniej nie podjęłam się tłumaczenia wiersza, więc początkowo przytłoczył mnie sam fakt nowego wyzwania. Zrozumienie każdego nowego słowa czy określenia dawało mi satysfakcję i to motywowało mnie do dalszej pracy.
JŻ: Każdy przekład jest w pewnym sensie dialogiem z nieobecnym autorem. Gdyby autor oryginału przeczytał Twoją wersję, czego byś się najbardziej obawiała?
AS: Pewnie tego, że błędnie zinterpretowałam jego intencje. Chociaż nie nazwałabym tego obawą, bardziej ciekawością.
JK: Czy masz swoje translatorskie rytuały? Cisza, kawa, noc, chaos?
AS: Połowa tłumaczenia powstała w ciszy przy herbacie, a druga w całkowitym chaosie przy kawie – na spotkaniu z przyjaciółmi, między rozmowami i graniem na konsoli. Jeszcze ciężko nazwać to rytuałem, ale przy kolejnych tłumaczeniach nie będę uciekać od skrajności.
JK: A powiedz nam – morze – czym ono dla Ciebie jest? Czy morze to dla Ciebie to samo co o mar?
AS: „O mar” odnosi się bardziej do przeszłości i tęsknoty za tym co było, “morze” jest dla mnie tęsknotą za tym co będzie, po prostu jest bardziej moje. Tak to widzę.
JK: Kończąc… Spór o to, kim właściwie jest tłumacz, trwa od dawna… Kim według Ciebie tłumacz poezji? Rzemieślnikiem, współautorem, niewolnikiem tekstu?
AS: Powiedziałabym, że to ktoś, kto próbuje zrozumieć autora i to swoje rozumienie przekazać innym.
Aniela Skorupowska
Studentka 2. roku portugalistyki na Uniwersytecie Warszawskim. Na wymianie studenckiej w Porto zaczęła uczyć się portugalskiego i po powrocie do Polski już nie przestała. Chociaż stawia dopiero pierwsze kroki w tłumaczeniu, daje jej to niesamowitą satysfakcję.